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terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

A dor.

Meu corpo dói.
Dói como o maior sofrimento do universo.
Dói.
Dói pela menor terminologia nervosa deste corpo.

E cada órgão clama pelo descanso ao se negar a funcionar.
Uma hora o fígado para. Outra hora o coração dói, e a cada batida o corpo treme como efeito colateral da suposta vida. Talvez seja o mesmo efeito dos pulmões que se cansam do trabalho que devia ser automático.

Apenas tem um pedaço de dor instalada em cada célula deste cadáver vivo.

Ainda sofro dos olhos, talvez essa seja a última vez que estes velhos globos oculares vejam o céu cinzento novamente. Ou até mesmo ao último passo de terra sob estes pés que fraquejaram sob o peso da vida considerada saudável. A um passo do pressuposto fim, mas diferente de Ismália não criarei asas ao alçar ao céu, apenas continuarei a ser um cadáver jogado nessa terra benzida de solidão.



domingo, 22 de setembro de 2013

Ode à nostalgia.

Mantenha junto a ti todos os meus sorrisos, e toda minha força. Me mantenha viva em sua mente, mesmo que neste momento eu seja apenas carne se esvaindo e ossos aparecendo. E toda vez que você perder o chão e sentir o vento te circular, volte na memória ao exato instante que eu te ensinei que estabilidade é algo incerto e monótono, e que a vida deve ser aproveitava sem ter os pés fixos no chão ao embalar de uma rede.

Me guarde como eu fui em vida, e não ao final dela. Sempre serei o exemplo de persistência e superação, mas ás vezes o vidro que separa  o forte do fraco pode ser atingido por um beijo de escarro da vida. Mas acima de tudo, se ame forte como eu sempre te amei. Com cada palavra de afeto ou palavrão. Com toda tristeza e solidão. A vida não é bela aos olhos de ninguém, ela só se torna tolerável quando você cria a sua própria visão.

Por isso não lhe peço que me veja em cada esquina à luz do luar, mas apenas naquelas noites especiais banhadas pelo aroma de damas-da-noite ao desabrochar. Não se obrigue a gostar de café além do aroma que era típico da minha casa, apenas me guarde num lugar especial no seu olfato como aquele confortável perfume de nostalgia. Guarde para mim todos os beijos, que um dia eu voltarei. Não como vida, talvez como exemplo de depressão. Mas um dia eu garanto que eu voltarei para alterar o seu mundo e te ensinar uma nova visão.

domingo, 30 de junho de 2013

Você / Eu.

Eu poderia cantar para você ao te embalar para os sonhos.
Poderia mudar meu timbre de voz,
suavizando-o ao ponto que fosse confortável aos seus ouvidos.
Talvez eu até conseguisse chegar perto do seu tom aveludado.
E mesmo quando fosse sussurradas pela minha boca as palavras mais ternas do universo,
isso tudo ainda não seria relevante.

Eu poderia estar sempre aqui por você.
Poderia guardar seu coração no lugar mais quente e protegido do universo.
E ainda poderia lamber suas feridas para retirar o amargo delas.
Mas mesmo assim eu nunca seria a primeira pessoa ao qual você procuraria quando machucado.

Admiraria a sombra da sua silhueta criada pelas luzes fracas.
E cansaria a minha visão ao tentar evitar que minha cegueira te consumisse.
Mas você não está no alcance de meus olhos.

Eu amaria em todas as noites seus olhos castanhos.
E sua expressão atônica enquanto analisa o cenário.
E principalmente o fato de não se importar com o que está ao seu redor.
Mas é essa falta de importância que me exclui do seu mundo.

Poderia até mesmo te ouvir reclamar da chuva eternamente,
enquanto se molha novamente na cidade da garoa.
E me afogaria em cada gota que encosta no seu corpo.

A cada instante ao se lado,
me asfixio em sua essência.
Me cubro por uma colcha de detalhes insignificantes,
mas que completam os significados de meu dicionário sobre você.

E em um desses instantes,
eu perderia um pouco de mim.
Por cada olhar desviado dos meus olhos,
minha mortificação se tornaria real.
Com isso moro um pouco mais,
ou um pouco menos.
Morro ou de amores,
ou de sua rejeição pelo meu ser.
Simplesmente morro por mim,
e renasço por ti.