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domingo, 23 de julho de 2017

Ode ao desespero

Eis uma ode ao desespero.
Cantai até que todas as suplicas sofridas desapareçam. Até que a voz rouca de choro deixe de ecoar, tornando-se num breve sussurro. Até que as lágrimas cristalizem-se. Até que todo o medo de deixar de existir morra ao Sol.

Enchei seus pulmões de ar e cantai esta canção. Deixe a voz fluir embargada de emoção ao descarregar aquilo que lhe sufoca.

domingo, 19 de fevereiro de 2017

Vida em 2017...

Em algum lugar desolado do caminho para a vida adulta perdi a minha suposta alma. Parece algo raso, e sem sentimentos. Talvez realmente seja, mas em algum lugar no meio do percurso de envelhecer você perde a sua essência anterior para cada pequena obrigação que lhe é imposta pela sobrevivência em sociedade. As vezes você perde quem você é de tanto ouvir as pessoas lhe disserem como deve ser a sua vida, outras pode ser cada problema que você precisa encarar sozinho sem sobrecarregar ombros amigos. Mas a certeza é que a cada mês a essência que te torna uma pessoa única no universo se esvai. E a cada mês uma nova faceta é criada para encarar o mundo novamente.

E não há nada maior do que perceber que as vezes você apenas se cansa sem retorno ao ser enterrado no meio de obrigações mundanas. Que não importa quantas horas de sono sejam realizadas que todo cansaço mental continua a ser uma constância. Ai entra o belo dilema de encarar tudo de pé, ou entregar-se para a frustração eterna. De chorar como um bebê ou engolir tudo como adulto. De se cansar com um sorriso na cara ou engolindo mágoa. Ou simplesmente aceitar o quão mesquinho e invejoso você pode se tornar ao observar as outras pessoas aparentemente suportarem tudo isso enquanto conseguem consolidar os seus sonhos. 

A vida adulta definitivamente não é fácil. E com certeza me encontro perdida entre a linha tênue de ser uma adolescente inconsequente e uma adulta indiferente. 

domingo, 3 de janeiro de 2016

Ode ao inevitável.

Até quando este ser continuará a sobreviver sendo tão romântico sem cura? Não sei mais o quanto poderei suportar de sentimentos engolidos que apenas são expostos através da escrita, nem até quando eu aguentarei sorrindo ao ver um amor querido partir por ser incapaz de expressar egoísmo ao pedir para ficarem. 

E eis a mais pura verdade, um escritor só ama a partir do momento em que eterniza a outra pessoa em poesia. E é exatamente isso ao qual tenho evitado de fazer há meses por medo de admitir aos meus versos tortos que agora o objeto do meu afeto é outro alguém com o qual não terei futuro. 

Neste momento não há canções que me confortem, ou ombros amigos para compreender o quanto essa dor agridoce me sufoca, muito menos o embalar de um sono tranquilo. Talvez seja culpa do estado febril de mais um gripe na cidade da garoa e não o delírio de uma dor emocional se tornando física. Talvez seja apenas mais um sonho no lugar de uma mania infantil que persiste em me deixar doente toda vez em que possuo um grande desejo sobre algo e não consigo alcançá-lo. 

Mas a única certeza que tenho neste momento é que o amo, e que os estou eternizando na história da minha vida escrita. Aqui deixo toda saudade daqueles sorrisos tortos, dos beijos na orelha, do abraço esperando por longos períodos, e da sensação de acordar feliz e de mãos dadas. 

domingo, 20 de setembro de 2015

Sobre o começo de tudo.

Em menos de um mês completo mais um ciclo de vida, mais 365 dias vividos em uma das melhores cidades do país. E novamente sinto uma angústia instalada no peito. Talvez pertinente ao pensamento de não achar que estou vivendo todas as oportunidades que possuo. Ou talvez seja apenas o fato de que novamente meu corpo retira um momento para me lembrar o que é dor, e que eu não tenho saúde para todas as oportunidades que o destino me apresenta. 

Nunca imaginei que viveria tudo isso, muito menos os médicos que me acompanharam desde previamente ao meu nascimento. Palmas à medicina, pois aqui estou porém a sensação de que algo me falta em relação ao meu próprio ser cheio de limitações sempre me atordoou. 

Nunca sonhei com o que eu faria no futuro. Nunca me imaginei adulta. Nunca me imaginei terminando uma faculdade ou trabalhando. Nunca me imaginei compartilhando a vida com alguém, e criando planos para o futuro. Nunca me imaginei viva até esse ponto, ou poderia até ter me imaginado em circunstâncias diferentes nas quais eu estaria numa cama de hospital. Ou morta, já que desde criança eu sempre deixei meus pais cientes de quais seriam os meus preparos fúnebres. 

Eis o meu maior dilema, e meu maior segredo. Não sei me imaginar vivendo no futuro, já que isso é algo que eu só fazia quando criança em forma de válvula de escape nos dias em que a dor era muito forte, e que eu queria pensar em algo bonito no lugar de um suicídio. 

Só sei que sinto necessidade em escrever, em abrir o peito numa folha de papel e jogar tudo que paira em minha mente em linhas tortas que distrai a minha mente das terminações nervosas que insistem em causar dor, e em todos os pensamentos que vem junto dela. Sinto necessidade em fechar os olhos e imaginar a próxima frase, como se dessa forma fantasiosa pudesse me criar um novo futuro através do ato de estimular a vontade de sonhar com este dito cujo.

Num espaço fechado em minha mente tremo entre as decisões de sonhar com o futuro e ficar frustada com o que pode acontecer, e entre o não imaginar e viver a vidas as cegas sem ter algo que me impulsione. Apesar que a minha escolha é bem óbvia, porque se eu não me importasse tanto com o futuro não viveria presa neste tipos de pensamentos e delírios de todos os frutos que a vida ainda pode me dar. Muito menos teria gasto uma manhã escrevendo tudo isto, para finalizar com um sorriso torto e agridoce nos lábios. 

quinta-feira, 11 de junho de 2015

Meu eu.

Venha meu eu, aquiete o seu choro baixo no embalo do meu peito. Adentre no sono sonâmbulo sem preocupações, e abrace forte esse nosso coração ao embalo de duas cordas vocais que cantam com pesâr. Chore tudo que precisar chorar, tudo que ainda está entalado e que eu nunca permitir sair ou entrar. 

A tormenta já passou junto com os anos de lamentar. Os destroços já foram remontados, e as flores do quintal já voltaram a desabrochar. Ignora este eco, que atualmente só serve como trilha sonora para as noites mais densas. 

Venha meu eu, abrace todo o mundo que nos resta a conquistar. Abraça essa depressão, e aceita que são estas inconstancias que vão nos embalar ao mundo de orpheu. Não tome esses comprimidos e me abrace, apenas me deixe cuidar com zelo de todo essa singularidade que não passa de perfeição. 

Apenas me abrace doce depressão, e me deixe amar todo o meu ser. 

domingo, 9 de novembro de 2014

02:56

Sob o céu púrpura da cidade cinza, a insônia ataca com esmero contra o seu fim. Trazendo a tona todo o desespero de pequenos universos carnais, que vacilam ao leve toque mental da mortalidade. Anos se passaram desde o seu último encontro, e mesmo assim todo o medo do passado incerto toma seu lugar de volta pela mera lembrança de que o fim se aproxima.

Foram longas sete décadas de um filme da vida sem uma trilha sonora adequada. Cada cena de impacto, ou de procrastinação não recebeu a sua devida homenagem. Todos os louros foram entregues aos tolos escravos da utopia, que roubam o brilho nos olhos de uma heroína brava e depressiva.

Todo o seu universo interno modifica-se com pesar. Aqui está mais uma alma que necessita do amor do toque humano. Mais uma entre as diversas mulheres que choraram e sangraram em nome da vida digna. Mais uma que não recebeu prestígio ao seu coração de aço. E que nunca se entregou durante uma guerra santa que abalou o seu coração. Mais uma alma sonâmbula sob o céu púrpura da cidade de São Paulo.

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Despertar.

A vida adulta começa quando você percebe tudo que está errado com o mundo. Mas não só percebe, e sim sente algo por isso. Seja raiva, dor, angustia.

Quando finalmente cada dor de crianças do outro lado do mundo te afetam, e te fazem julgar cada detalhe da sociedade afim de poder mudar o destino delas. Quando cada choro dói em sua alma, e lhe tira o sono ao acelerar a sua mente que procura incessantemente por um método de tudo que é ruim acabe.

Esse sim é o momento crucial.
É a hora da verdade, na qual se diferem bestas de seres humanos.
É quando a pergunta que não cala em sua mente é "Quantas mais Anne's Frank's vão precisar morrer para o mundo mudar? E mesmo após isso, uma hora toda essa crueldade terá fim?"

E tudo o que sobra é a dor alheia ressoando dentro do seu peito, que não sabe o que fazer para se acalmar enquanto o mundo de quem nunca viveu é destruído.

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

A dor.

Meu corpo dói.
Dói como o maior sofrimento do universo.
Dói.
Dói pela menor terminologia nervosa deste corpo.

E cada órgão clama pelo descanso ao se negar a funcionar.
Uma hora o fígado para. Outra hora o coração dói, e a cada batida o corpo treme como efeito colateral da suposta vida. Talvez seja o mesmo efeito dos pulmões que se cansam do trabalho que devia ser automático.

Apenas tem um pedaço de dor instalada em cada célula deste cadáver vivo.

Ainda sofro dos olhos, talvez essa seja a última vez que estes velhos globos oculares vejam o céu cinzento novamente. Ou até mesmo ao último passo de terra sob estes pés que fraquejaram sob o peso da vida considerada saudável. A um passo do pressuposto fim, mas diferente de Ismália não criarei asas ao alçar ao céu, apenas continuarei a ser um cadáver jogado nessa terra benzida de solidão.



sábado, 18 de janeiro de 2014

A dor do Universo.

E a carne novamente foi cortada. O novo rasgo profundo e largo, fazendo o seu caminho por entre as entranhas sem vida. O objeto destruiu o seu caminho à dentro, e explodiu em sua saída; porém mesmo assim nenhuma gota de sangue dali fora retirada.

Qual é o máximo de ferimentos que um corpo pode ter antes que toda a vida local chegue a inércia? Antes que tudo se torne insignificante e, cada ferimento deixe de ser ligado as terminações elétricas que produzem a dor. Qual será o limite da dor, do sofrimento, da inconstância do desapego?

E a cada novo 5 segundos do recomeço, sento e ali permaneço. O ciclo já não me interessa mais, nem mesmo os novos horizontes ali prometidos. A casa já está vazia, assim como a última garrafa de bebida alcoólica do mundo. O copo que uma vez já foi o centro do mundo agora não passa de apenas um objeto imundo.

Fecho os olhos e desmaio. Em segundos pulo fora da realidade, do mundo tocável. Mas mesmo fora deste as emoções ainda continuam, e a cada rua deste cérebro a dor se torna mais real do que a própria consciência universal. E assim a dúvida final ataca, apunhalando como se a sua existência depende-se disso:

- Qual será o limite mensurável do universo, quanta dor poderá ter existido no momento de sua criação para que tudo e todos que foram gerados dele sofressem tanto?

domingo, 22 de setembro de 2013

Ode à nostalgia.

Mantenha junto a ti todos os meus sorrisos, e toda minha força. Me mantenha viva em sua mente, mesmo que neste momento eu seja apenas carne se esvaindo e ossos aparecendo. E toda vez que você perder o chão e sentir o vento te circular, volte na memória ao exato instante que eu te ensinei que estabilidade é algo incerto e monótono, e que a vida deve ser aproveitava sem ter os pés fixos no chão ao embalar de uma rede.

Me guarde como eu fui em vida, e não ao final dela. Sempre serei o exemplo de persistência e superação, mas ás vezes o vidro que separa  o forte do fraco pode ser atingido por um beijo de escarro da vida. Mas acima de tudo, se ame forte como eu sempre te amei. Com cada palavra de afeto ou palavrão. Com toda tristeza e solidão. A vida não é bela aos olhos de ninguém, ela só se torna tolerável quando você cria a sua própria visão.

Por isso não lhe peço que me veja em cada esquina à luz do luar, mas apenas naquelas noites especiais banhadas pelo aroma de damas-da-noite ao desabrochar. Não se obrigue a gostar de café além do aroma que era típico da minha casa, apenas me guarde num lugar especial no seu olfato como aquele confortável perfume de nostalgia. Guarde para mim todos os beijos, que um dia eu voltarei. Não como vida, talvez como exemplo de depressão. Mas um dia eu garanto que eu voltarei para alterar o seu mundo e te ensinar uma nova visão.

domingo, 30 de junho de 2013

Você / Eu.

Eu poderia cantar para você ao te embalar para os sonhos.
Poderia mudar meu timbre de voz,
suavizando-o ao ponto que fosse confortável aos seus ouvidos.
Talvez eu até conseguisse chegar perto do seu tom aveludado.
E mesmo quando fosse sussurradas pela minha boca as palavras mais ternas do universo,
isso tudo ainda não seria relevante.

Eu poderia estar sempre aqui por você.
Poderia guardar seu coração no lugar mais quente e protegido do universo.
E ainda poderia lamber suas feridas para retirar o amargo delas.
Mas mesmo assim eu nunca seria a primeira pessoa ao qual você procuraria quando machucado.

Admiraria a sombra da sua silhueta criada pelas luzes fracas.
E cansaria a minha visão ao tentar evitar que minha cegueira te consumisse.
Mas você não está no alcance de meus olhos.

Eu amaria em todas as noites seus olhos castanhos.
E sua expressão atônica enquanto analisa o cenário.
E principalmente o fato de não se importar com o que está ao seu redor.
Mas é essa falta de importância que me exclui do seu mundo.

Poderia até mesmo te ouvir reclamar da chuva eternamente,
enquanto se molha novamente na cidade da garoa.
E me afogaria em cada gota que encosta no seu corpo.

A cada instante ao se lado,
me asfixio em sua essência.
Me cubro por uma colcha de detalhes insignificantes,
mas que completam os significados de meu dicionário sobre você.

E em um desses instantes,
eu perderia um pouco de mim.
Por cada olhar desviado dos meus olhos,
minha mortificação se tornaria real.
Com isso moro um pouco mais,
ou um pouco menos.
Morro ou de amores,
ou de sua rejeição pelo meu ser.
Simplesmente morro por mim,
e renasço por ti.

terça-feira, 7 de maio de 2013

À noite.

Eu havia me esquecido do quão belas e intrigantes são as estrelas, e o quão bem eu me sentia ao me imaginar ser uma formiga em relação ao seu brilho. A última vez na qual eu me deitei e olhei para as estrelas eu estava chorando ao ponto de sentir sangue na garganta pela força exercida para reproduzir algum som, e respirar ao mesmo tempo. Ainda me lembro do desespero em me ver sozinha, e do conforto da inércia que chegava aos poucos.

Respiro fundo ao me lembrar de todas as vezes na qual transformei em estrela guia alguém ao qual eu não pude dar um devido adeus, relembro de todos os rostos e do quanto sempre doeu em minha garganta essas palavras entalas que nunca serão ouvidas. Já encarei o destino faz tempo, mas vivo com a duvida constante de quando isso acontecerá novamente e se eu poderei finalmente ter um final.

O vento gelado ao soprar congela minha carne e ossos fragilizados pela falta de peso junto de um resfriado irritante, me lembrando para entrar antes que a febre apareça para torturar minha armadura carnal. Continuo o meu caminho para o calor e aconchego de casa, enquanto a mente focaliza nos abraços amorosos que tem me rondado.

Olho mais uma vez para o céu melancólico, tão escuro quanto os meus olhos nos momentos desprovidos de alegrias e grandezas. Me fundo com a sua essência, me tornando tão vasta e desprovida de luz própria. Mas isso até que não é tão ruim, afinal ser apreciada pela imagem criada por singelos corpos mortos luminosos tem lá seu quê de beleza, e viver correndo atrás e  fugindo da claridade e do calor do dia torna tudo mais especial durante os momentos escuros.

domingo, 7 de abril de 2013

As mudanças em mim.

E de novo me pego pensando em você. Tento te esquecer, mas percebo que isso já virou rotina. Quando foi mesmo que eu me tornei alguém que se importa com os outros, pois eu não me lembro de ser assim há um mês atrás. Há um mês eu era normal, eu era infantil e estúpida. Agora eu passo boa parte do dia pensando no que fiz de errado ou no que não deixei claro, e um breve período te encarando esperando uma ação inexistente ou te desejando o bem como se isso fosse algo da minha pessoa.

Eu mudei e não percebi, simplesmente fechei os olhos da minha mente ao te conhecer. E aqui estou eu com o coração na boca a cada segundo que penso em você, e com dor na consciência toda vez que penso em te esquecer. Não me lembro de nunca ter dado valor a algo ao ponto de querer aquilo sempre aos meus olhos, e agora morro de ciumes de tudo ao teu redor.

Me odeio mais uma vez por não conseguir organizar meus pensamentos pois lembrei do seu sorriso. Me odeio pois sei que não consigo te odiar pelo caos criado. E odeio a maldita frase que repercute em minha cabeça me lembrando que escritores só sabem escrever sobre os outros se o amam, pois a inspiração vem disso; e porra olha eu aqui escrevendo a porra de um segundo texto sobre você.

Me estresso olhando essa folha em branco na qual não consigo organizar minha mente, e penso no grito entalado em minha boca que no final vai virar um abraço em você quando eu tiver coragem ao longo dos dias. E institivamente me lembro do calor e do toque, da sensação de proteção e calmaria. Lembro da estampa da sua camisa favorita que me lembra motivos natalinos, e que por mais que eu odeie essa data não consigo evitar de sorrir ao te ver nela. Oh não, isso não é bom, não quero que meu mundo gire ao redor de algo que não me pertence ou que não faça parte do meu ser; mas deixei de ter escolha sobre isso no momento em que me distrai e assim me afundei profundamente em sua essência.

sábado, 9 de março de 2013

Outra paixonite no mundo.

Aqui estou eu cercada por pessoas que mal conheço, e vivendo uns dos momentos mais felizes dos últimos meses. E novamente me sinto fora de eixo, não pertencendo a este lugar. Olho pro lado e me lembro ao olhar para alguém que novamente alguém gosta de mim, e como a última vez eu sinto um frio na espinha ao pensar o por quê dele gostar logo de mim.

Acho que nunca vou deixar de ser essa boneca de cera que finge viver, e que apenas sorri quando tenta sentir ou entender sentimentos desse tipo. Ele se aproxima, e fala comigo como se fosse um velho amigo meu, e como se entendesse a confusão incerta que é a minha mente. Papo vai, papo vem e agora me vejo corando ao ver o quão próximos estamos, e o quão incerta eu sou.

Encaro sem graça o seu sorriso e penso quando foi que me tornei assim, e em menos de cinco segundos lembro de todas as vezes que ouvi que não merecia o amor. Já ouvi isso tanta vezes que isso já é uma ferida cicatrizada, mas por hábito do ser humano evito ele fingido ser ele o causador dessa marca em mim. Me odeio por milésimos de segundos ao refletir o quão cruel eu devo estar sendo, e sempre fui.

Ele sorri e me passa outra bebida, ignoro o mundo e volto a pensar no caos que estou nesse momento. Me vejo novamente em um daqueles momentos cruciais, no que sei que estou sendo inflexível e que mesmo assim não mudo de atitude. Não posso perder a razão, nem mesmo pra quem está tão perto, sorrindo, e alegre em gastar seu tempo comigo. Talvez eu realmente não mereça o amor, isso seria o que eu pensaria caso não lembrasse que só ouvi isso na vida de pessoas que queriam a minha morte depois de me conhecer.

Penso que estou sendo inflexível e com medo de sair da zona de conforto, e ele me diz as mesmas coisas no mesmo instante que termino esse pensamento. Sorrio de volta pra ele sendo sincera pela primeira vez, assumo que estou errada mas não por completo. Ele ganha a razão, e eu a paz de espirito por segundos. Ele continua falando e me pego numa prece para que ele não me ame, porque ai eu teria certeza que minha atitude seria a pior de todas.

A noite acaba e aqui estou eu alegre pelas bebidas de estômago vazio, e arrependida de novo por ser tão egocêntrica, mas ai me lembro que é isso que me mantém viva. Outro dia talvez isso seja algo quando eu deixar de ser tão indecisa e viciada em passar vontade.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

39,25.

A minha identidade fugiu de mim, não sou mais aquela que sempre soube quem era. Eu simplesmente deixei de ser uma persona. Olho no espelho e vejo um rosto abatido, frágil, e desgastado; olho nas fotos e vejo a vida e a felicidade. Quem estará errado?  Ou o tempo simplesmente regrediu prá época em que se acreditava que as fotografias roubavam um pouco da alma e da vida da pessoa nela?

Nunca fui boa em mostrar minha verdadeira cara, mas agora eu não me vejo em nenhuma das que eu tenho. Perdi tudo junto dos quilos que me mantinham estável e resistente à brisas. Meu medo e desconfiança voltaram a minha rotina. Ou eu apenas estou me apegando a lembraças há muito tempo esquecidas, no qual eu sentia que o tempo ou a maturidade não me alcançavam, no qual minha única evolução era no tempo a mais "vivido".

Quanto tempo se passou desde a última vez em que eu realmente pensei que aquele era o começo do meu desaparecimento?

Estou voltando a ser complexada, e dia após dia acho mais estranho o fato de que estou me acostumando com a fraqueza, o cansaço, e com o desanimo. Cadê toda a vida que eu exalava ano passado?

Me sinto novamente como uma criança tomando pípulas porque seu próprio corpo se recusava a evoluir, ou até mesmo a sobreviver decentemente. Mas aqui vou eu começar novamente uma cruzada contra meu ser à procura da tão sonhada qualidade de vida.

terça-feira, 13 de novembro de 2012

Procura-se.

Procura-se um futuro possível amor de toda uma vida. Procura-se loucamente pelo seu paradeiro e pelo seu nome verdadeiro. Foi visto pela última vez na rua mais linda de São Paulo, aquela lá com a ponte japonesa, e com a vista panoramica de todo o centro velho. Provavelmente ele estará lá numa tarde qualquer, andando como se ele fosse a essência do lugar deixando a sua marca na vida de qualquer pessoa que o ver.

Ele é alto, com o cabelo levemente desarrumado, com a barba aparada, um semblante gentil, e com um cigarro entre os dedos que evitam um toque brusco contra os lábios que amam sorrir levemente. Ele simplesmente é a combinação perfeita de um deus grego com um toque de Mr. Darcy; e mais do que isso, ele é o que eu tenho procurado por toda uma vida. Cuidado ao cruzar com ele, pois numa questão de segundos seu coração pode ser roubado com um simples olhar intenso, igual o meu foi roubado numa tarde ensolarada de outubro.

Procuro ele e meu coração de volta, ou pelo menos o seu olhar que me paralizou e me fez acreditar em amor a primeira vista. Necessito encontra-lo como se minha vida dependesse disso, com apenas um olhar me viciei na sua existência. Quero de volta o calor e o rubor trazido por uma simples troca de olhares, e da hiperventilação causada pelo seu sorriso travesso ao ver o impacto que ele causava nas vidas alheias.

Caso o encontre me procure imediatamente, não prometo recompensa maior do que a gratidão eterna de uma alma atordoada, que de nada tem de pequena. Venha ao meu encontro dia ou noite, não importa, até porque meus sonhos se foram junto dele; mas de qualquer jeito me digam que o viram e que ele ainda está com o meu coração e a minha procura com aquele mesmo sorriso a minha espera.


terça-feira, 6 de novembro de 2012

Empty heart.

I wonder if anyone really loved me. Because I'm more than sure that I've never felted it. I never really cared in my life, never have anything more than a crush, and never tried to have a relationship. Life's so empty when you realize that all that you have's a selfish and jealousy look in your face when you see that the world around live in love.

I'm tired of waking up in the midle of night just to realize that I'm all alone.

Maybe I'm just like this stupid girls that likes to throw her lifes away. You know, that ones that never have something more with anyone, that just keep flirting until they realize that it don't make hers happy anymore.

I don't want something in my life, I want someone. I know that it's stupid and naive, but someday I wanna wake up and look someone in eyes and just know everything that I never knew before.

Dia-a-dia.

Mais um dia passa no qual eu me questiono se a vida é apenas isso. Acordo todo dia, olho pro lado e me vejo sozinha. Ando um pouco, e me vejo mais sozinha do que anteriormente; e assim mais um dia é consumido pelo nada. A vida é mesmo algo tão vazio?

O que engloba uma vida é algo tão ralo, que chega a ser intocavel.

Você acorda, vive e, finalmente morre. Até mesmo o seu subconsciente do subconsciente grita por mudanças, mas o tempo é tão pouco e o vazio tão imenso que nada chega a mudar. Dia após dia você faz planos, listas, orações, pedidos e todo o resto que está em suas mãos para clamar algo novo, mas como sempre nada vem.

Seu copo fica vazio, o cigarro vira cinzas, e o seu corpo um átomo voando por ai, que no final vai acabar na torrada com geleia de algum esquisito qualquer, que vai comer aquela poeirinha minuscula que é a sua vida como se não fosse porra nenhuma.

quarta-feira, 3 de outubro de 2012

Sonho de um amor febril.

    Hoje eu sonhei com você, e com tudo o que mudou após te conhecer. Engraçado como as vezes uma melodia soa como uma lembrança, ou a traz à tona.

   - Está tudo bem em não ser normal, ou é fora do normal? Se é que você me entendeu. - Ainda me lembro do seu rosto levemente envergonhado enquanto me perguntava isso. Eu simplesmente respondi que sim, mas a verdade era que eu aquela mesma pergunta estava na minha mente há tanto tempo. E esta foi a primeira vez que eu me senti conectada a você.

   Depois disso começamos a dividir cada vez mais as nossas ideias e pensamentos, e a cada sorriso sem graça de ambos que surgiam após cada conexão criada eu não podia impedir de gostar de ti. Finalmente me sentia compreendida, mas ao mesmo tempo com medo de estragar uma amizade perfeita em cada sentido da palavra.

   "Um dia ele vai partir, e você não terá como impedir. Deveria falar logo tudo que está em ti." O que isso deveria significar? Mais uma vez me falaram isso, mas como me mover se minhas pernas não reagiam sem o meu andador que era você. Os dias passaram, e com isso um incomodo aumentou em minha garganta, mas não o suficiente para me obrigar a abrir a boca em desespero a procura de liberdade para finalmente me dar alivio.

    - Acho que nunca fui normal, ou me encaixei no mundo. Será isso muito depressivo? - Aquilo me assustou mais do que tudo, falar em depressão com um sorriso no rosto e um brilho nos olhos. Realmente tinha algo na sua essência que me atraia, algo que despertava minha necessidade de estar perto de algo ou alguém que realmente brilhasse. - Às vezes me sinto sozinho do nada, pois o mundo está tão louco. Realmente, acho que sou fora do normal. - Acenei e sorri levemente, o choque ainda não havia passado, muito menos os meus batimentos descompassados. Não conseguia parar de me perguntar como pode existir alguém tão perto de mim  e que completa tão bem a minha mente. Você compreendia cada mínimo canto empoeirado da minha alma, e ia mais além.

   Você não só era algo que me chamava a atenção, você era tudo aquilo que eu escondia. Eu via em seus olhos que eram reflexos dos meus cada pedaço que foi encoberto da sociedade. Eu não podia evitar de ficar feliz ao ver que eu não estava sozinha no mundo.

   - "And everybody's empty / And everything is so messed up. / I cannot live at all / My whole world surrounds you / I stumble then I crawl." Você tem bom gosto musical, mas deveria parar de ouvir coisas tão depressivas. Sabe, isso não vai fazer bem no futuro. - Me lembro do seu rosto reluzir enquanto me dizia isso num dia qualquer em que ouviamos música e olhavamos as estrelas. Seu sorriso tão singelo e ao mesmo tempo tão perspicáz. Sorri ao te ver assim, achando tão tolo aquilo que havia sido proferido, e continuei brincando com o nada enquanto absorvia o momento.

   Você estava certo, eu realmente deveria ter fugido dessas letras depressivas antes. Mas agora já foi. Agora em cada letra eu via a sua essência, e a minha tristeza. "Você devia ter amado ele corretamente." Eu sei. "Tenho pena de ti, o tempo foi tão curto que te roubou o adeus." Eu já disse que sei disso. Apenas parem de me lembrar. "Eu te avisei para amar ele antes que a morte chegasse." Eu sei. Eu sei. Eu sei. E isso machuca mais do que tudo.

   Tudo foi tão rápido que eu só percebi mesmo o que aconteceu quando me vi brincando com um laser branco, fingindo ser uma estrela solta pelo cosmos, assim como era o que sobrou de você agora. Não conseguia ouvir nada que só aumentava a dor, e cada música triste parecia ser uma conversa oculta minha e do artista sentindo a sua falta. Agora eu entendi porque você não queria me ver ouvindo aquilo, pois agora cada palavra me rasgava, e cada melodia era embalada pelo meu choro. Eu não tinha percebi que quando te conheci já era o fim de sua vida, eu não percebi que o tempo era tão curto. Tudo o que me sobrou de você foi a lição de que o tempo é precioso.

   Acordei hoje com lágrimas, e mais do que envergonhada de ter me esquecido do quanto eu te amei e ainda amava. Você tinha ido embora há tanto tempo, mas eu ainda te amava mais que tudo. Ainda guardo as suas lembranças como o meu maior tesouro que o mundo nunca conhecerá.

   E hoje mais uma vez vou dormir com você no meu coração.

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

A verdade instalada numa carta.

 Ao destino, ou karma, ou etc;

Só agora percebi que eu ainda mantive vivo por tanto tempo um último "e se". "E se tudo tivesse sido diferente entre nós, desde o começo?" Pra falar a verdade não teria valido a pena viver esse último "e se". Eu teria me machucado e machucado menos aos outros, mas não teria evoluido ao longo do caminho.

Eu ainda me imaginava voltando no tempo e correndo atras ti, e deixando todos os meus medos de lado apenas pra ver um sorriso no seu rosto ao dizer que gostava de mim. Me imaginava numa situação atual totalmente diferente, talvez com um amor ou até mesmo ingressando na carreira que eu diria ser meu sonho. Tendo um relacionamento perfeito, e me tornando na pessoa mais amavel do universo. Mas nada disso seria real, ou seria eu. O tempo não pode, e não deve andar pra trás.

Esses dois anos foram mais importantes do que tudo em toda a minha vida. Aprendi a me impor, e a me aceitar. E até mesmo que minha paixão está mesmo é nessas linhas embaraçadas. Se eu tivesse ido atras de você eu não seria eu, e por isso não teria descoberto tantas coisas ao meu respeito escrevendo. E nisso nem conheceria o meu futuro. E o mais importante, eu teria construido uma parede não ao meu redor, mas ao seu; e com nisso teria me apoiado apenas em você, e nisso nunca saberia o quão narcisista ou egocentrica eu sou pelo meu próprio bem.

Dois anos no qual que me descobri, e me construi. E posso finalmente falar que me amo de verdade, e que finalmente aceito cada mínimo detalhe do meu ser. Deixei de aquela garotinha que achava que sabia de tudo, e me tornei na que pelo menos sabe tudo ao seu próprio respeito. A felicidade não é algo que você alcança, ela apenas se torna algo seu, e de um minuto pro outro te faz sorrir ao observar tudo no seu trajeto.

Posso estar apenas na metade, ou menos disso da vida. Mas agora eu posso afirmar que não tenho nada do me arrepender.  Tudo acontece por um motivo, ou não; mas eu estou cansada de pensar nisso ao invés de realmente viver minha vida. Mas eu sei que agora tenho um ponto de partida fixo em mim, que venha o futuro, porque já superei o sabor agridoce do passado sem me tornar uma pessoa amarga ao o absorver; o que agora se tornou minhas tábuas de sustentação para o que for que vier com o futuro.

De alguém que cresceu;
Tamires.