Páginas

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Despertar.

A vida adulta começa quando você percebe tudo que está errado com o mundo. Mas não só percebe, e sim sente algo por isso. Seja raiva, dor, angustia.

Quando finalmente cada dor de crianças do outro lado do mundo te afetam, e te fazem julgar cada detalhe da sociedade afim de poder mudar o destino delas. Quando cada choro dói em sua alma, e lhe tira o sono ao acelerar a sua mente que procura incessantemente por um método de tudo que é ruim acabe.

Esse sim é o momento crucial.
É a hora da verdade, na qual se diferem bestas de seres humanos.
É quando a pergunta que não cala em sua mente é "Quantas mais Anne's Frank's vão precisar morrer para o mundo mudar? E mesmo após isso, uma hora toda essa crueldade terá fim?"

E tudo o que sobra é a dor alheia ressoando dentro do seu peito, que não sabe o que fazer para se acalmar enquanto o mundo de quem nunca viveu é destruído.

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

A dor.

Meu corpo dói.
Dói como o maior sofrimento do universo.
Dói.
Dói pela menor terminologia nervosa deste corpo.

E cada órgão clama pelo descanso ao se negar a funcionar.
Uma hora o fígado para. Outra hora o coração dói, e a cada batida o corpo treme como efeito colateral da suposta vida. Talvez seja o mesmo efeito dos pulmões que se cansam do trabalho que devia ser automático.

Apenas tem um pedaço de dor instalada em cada célula deste cadáver vivo.

Ainda sofro dos olhos, talvez essa seja a última vez que estes velhos globos oculares vejam o céu cinzento novamente. Ou até mesmo ao último passo de terra sob estes pés que fraquejaram sob o peso da vida considerada saudável. A um passo do pressuposto fim, mas diferente de Ismália não criarei asas ao alçar ao céu, apenas continuarei a ser um cadáver jogado nessa terra benzida de solidão.



sábado, 18 de janeiro de 2014

A dor do Universo.

E a carne novamente foi cortada. O novo rasgo profundo e largo, fazendo o seu caminho por entre as entranhas sem vida. O objeto destruiu o seu caminho à dentro, e explodiu em sua saída; porém mesmo assim nenhuma gota de sangue dali fora retirada.

Qual é o máximo de ferimentos que um corpo pode ter antes que toda a vida local chegue a inércia? Antes que tudo se torne insignificante e, cada ferimento deixe de ser ligado as terminações elétricas que produzem a dor. Qual será o limite da dor, do sofrimento, da inconstância do desapego?

E a cada novo 5 segundos do recomeço, sento e ali permaneço. O ciclo já não me interessa mais, nem mesmo os novos horizontes ali prometidos. A casa já está vazia, assim como a última garrafa de bebida alcoólica do mundo. O copo que uma vez já foi o centro do mundo agora não passa de apenas um objeto imundo.

Fecho os olhos e desmaio. Em segundos pulo fora da realidade, do mundo tocável. Mas mesmo fora deste as emoções ainda continuam, e a cada rua deste cérebro a dor se torna mais real do que a própria consciência universal. E assim a dúvida final ataca, apunhalando como se a sua existência depende-se disso:

- Qual será o limite mensurável do universo, quanta dor poderá ter existido no momento de sua criação para que tudo e todos que foram gerados dele sofressem tanto?

domingo, 22 de setembro de 2013

Ode à nostalgia.

Mantenha junto a ti todos os meus sorrisos, e toda minha força. Me mantenha viva em sua mente, mesmo que neste momento eu seja apenas carne se esvaindo e ossos aparecendo. E toda vez que você perder o chão e sentir o vento te circular, volte na memória ao exato instante que eu te ensinei que estabilidade é algo incerto e monótono, e que a vida deve ser aproveitava sem ter os pés fixos no chão ao embalar de uma rede.

Me guarde como eu fui em vida, e não ao final dela. Sempre serei o exemplo de persistência e superação, mas ás vezes o vidro que separa  o forte do fraco pode ser atingido por um beijo de escarro da vida. Mas acima de tudo, se ame forte como eu sempre te amei. Com cada palavra de afeto ou palavrão. Com toda tristeza e solidão. A vida não é bela aos olhos de ninguém, ela só se torna tolerável quando você cria a sua própria visão.

Por isso não lhe peço que me veja em cada esquina à luz do luar, mas apenas naquelas noites especiais banhadas pelo aroma de damas-da-noite ao desabrochar. Não se obrigue a gostar de café além do aroma que era típico da minha casa, apenas me guarde num lugar especial no seu olfato como aquele confortável perfume de nostalgia. Guarde para mim todos os beijos, que um dia eu voltarei. Não como vida, talvez como exemplo de depressão. Mas um dia eu garanto que eu voltarei para alterar o seu mundo e te ensinar uma nova visão.

domingo, 30 de junho de 2013

Você / Eu.

Eu poderia cantar para você ao te embalar para os sonhos.
Poderia mudar meu timbre de voz,
suavizando-o ao ponto que fosse confortável aos seus ouvidos.
Talvez eu até conseguisse chegar perto do seu tom aveludado.
E mesmo quando fosse sussurradas pela minha boca as palavras mais ternas do universo,
isso tudo ainda não seria relevante.

Eu poderia estar sempre aqui por você.
Poderia guardar seu coração no lugar mais quente e protegido do universo.
E ainda poderia lamber suas feridas para retirar o amargo delas.
Mas mesmo assim eu nunca seria a primeira pessoa ao qual você procuraria quando machucado.

Admiraria a sombra da sua silhueta criada pelas luzes fracas.
E cansaria a minha visão ao tentar evitar que minha cegueira te consumisse.
Mas você não está no alcance de meus olhos.

Eu amaria em todas as noites seus olhos castanhos.
E sua expressão atônica enquanto analisa o cenário.
E principalmente o fato de não se importar com o que está ao seu redor.
Mas é essa falta de importância que me exclui do seu mundo.

Poderia até mesmo te ouvir reclamar da chuva eternamente,
enquanto se molha novamente na cidade da garoa.
E me afogaria em cada gota que encosta no seu corpo.

A cada instante ao se lado,
me asfixio em sua essência.
Me cubro por uma colcha de detalhes insignificantes,
mas que completam os significados de meu dicionário sobre você.

E em um desses instantes,
eu perderia um pouco de mim.
Por cada olhar desviado dos meus olhos,
minha mortificação se tornaria real.
Com isso moro um pouco mais,
ou um pouco menos.
Morro ou de amores,
ou de sua rejeição pelo meu ser.
Simplesmente morro por mim,
e renasço por ti.

terça-feira, 7 de maio de 2013

À noite.

Eu havia me esquecido do quão belas e intrigantes são as estrelas, e o quão bem eu me sentia ao me imaginar ser uma formiga em relação ao seu brilho. A última vez na qual eu me deitei e olhei para as estrelas eu estava chorando ao ponto de sentir sangue na garganta pela força exercida para reproduzir algum som, e respirar ao mesmo tempo. Ainda me lembro do desespero em me ver sozinha, e do conforto da inércia que chegava aos poucos.

Respiro fundo ao me lembrar de todas as vezes na qual transformei em estrela guia alguém ao qual eu não pude dar um devido adeus, relembro de todos os rostos e do quanto sempre doeu em minha garganta essas palavras entalas que nunca serão ouvidas. Já encarei o destino faz tempo, mas vivo com a duvida constante de quando isso acontecerá novamente e se eu poderei finalmente ter um final.

O vento gelado ao soprar congela minha carne e ossos fragilizados pela falta de peso junto de um resfriado irritante, me lembrando para entrar antes que a febre apareça para torturar minha armadura carnal. Continuo o meu caminho para o calor e aconchego de casa, enquanto a mente focaliza nos abraços amorosos que tem me rondado.

Olho mais uma vez para o céu melancólico, tão escuro quanto os meus olhos nos momentos desprovidos de alegrias e grandezas. Me fundo com a sua essência, me tornando tão vasta e desprovida de luz própria. Mas isso até que não é tão ruim, afinal ser apreciada pela imagem criada por singelos corpos mortos luminosos tem lá seu quê de beleza, e viver correndo atrás e  fugindo da claridade e do calor do dia torna tudo mais especial durante os momentos escuros.

domingo, 7 de abril de 2013

As mudanças em mim.

E de novo me pego pensando em você. Tento te esquecer, mas percebo que isso já virou rotina. Quando foi mesmo que eu me tornei alguém que se importa com os outros, pois eu não me lembro de ser assim há um mês atrás. Há um mês eu era normal, eu era infantil e estúpida. Agora eu passo boa parte do dia pensando no que fiz de errado ou no que não deixei claro, e um breve período te encarando esperando uma ação inexistente ou te desejando o bem como se isso fosse algo da minha pessoa.

Eu mudei e não percebi, simplesmente fechei os olhos da minha mente ao te conhecer. E aqui estou eu com o coração na boca a cada segundo que penso em você, e com dor na consciência toda vez que penso em te esquecer. Não me lembro de nunca ter dado valor a algo ao ponto de querer aquilo sempre aos meus olhos, e agora morro de ciumes de tudo ao teu redor.

Me odeio mais uma vez por não conseguir organizar meus pensamentos pois lembrei do seu sorriso. Me odeio pois sei que não consigo te odiar pelo caos criado. E odeio a maldita frase que repercute em minha cabeça me lembrando que escritores só sabem escrever sobre os outros se o amam, pois a inspiração vem disso; e porra olha eu aqui escrevendo a porra de um segundo texto sobre você.

Me estresso olhando essa folha em branco na qual não consigo organizar minha mente, e penso no grito entalado em minha boca que no final vai virar um abraço em você quando eu tiver coragem ao longo dos dias. E institivamente me lembro do calor e do toque, da sensação de proteção e calmaria. Lembro da estampa da sua camisa favorita que me lembra motivos natalinos, e que por mais que eu odeie essa data não consigo evitar de sorrir ao te ver nela. Oh não, isso não é bom, não quero que meu mundo gire ao redor de algo que não me pertence ou que não faça parte do meu ser; mas deixei de ter escolha sobre isso no momento em que me distrai e assim me afundei profundamente em sua essência.