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domingo, 3 de janeiro de 2016

Ode ao inevitável.

Até quando este ser continuará a sobreviver sendo tão romântico sem cura? Não sei mais o quanto poderei suportar de sentimentos engolidos que apenas são expostos através da escrita, nem até quando eu aguentarei sorrindo ao ver um amor querido partir por ser incapaz de expressar egoísmo ao pedir para ficarem. 

E eis a mais pura verdade, um escritor só ama a partir do momento em que eterniza a outra pessoa em poesia. E é exatamente isso ao qual tenho evitado de fazer há meses por medo de admitir aos meus versos tortos que agora o objeto do meu afeto é outro alguém com o qual não terei futuro. 

Neste momento não há canções que me confortem, ou ombros amigos para compreender o quanto essa dor agridoce me sufoca, muito menos o embalar de um sono tranquilo. Talvez seja culpa do estado febril de mais um gripe na cidade da garoa e não o delírio de uma dor emocional se tornando física. Talvez seja apenas mais um sonho no lugar de uma mania infantil que persiste em me deixar doente toda vez em que possuo um grande desejo sobre algo e não consigo alcançá-lo. 

Mas a única certeza que tenho neste momento é que o amo, e que os estou eternizando na história da minha vida escrita. Aqui deixo toda saudade daqueles sorrisos tortos, dos beijos na orelha, do abraço esperando por longos períodos, e da sensação de acordar feliz e de mãos dadas. 

domingo, 20 de setembro de 2015

Sobre o começo de tudo.

Em menos de um mês completo mais um ciclo de vida, mais 365 dias vividos em uma das melhores cidades do país. E novamente sinto uma angústia instalada no peito. Talvez pertinente ao pensamento de não achar que estou vivendo todas as oportunidades que possuo. Ou talvez seja apenas o fato de que novamente meu corpo retira um momento para me lembrar o que é dor, e que eu não tenho saúde para todas as oportunidades que o destino me apresenta. 

Nunca imaginei que viveria tudo isso, muito menos os médicos que me acompanharam desde previamente ao meu nascimento. Palmas à medicina, pois aqui estou porém a sensação de que algo me falta em relação ao meu próprio ser cheio de limitações sempre me atordoou. 

Nunca sonhei com o que eu faria no futuro. Nunca me imaginei adulta. Nunca me imaginei terminando uma faculdade ou trabalhando. Nunca me imaginei compartilhando a vida com alguém, e criando planos para o futuro. Nunca me imaginei viva até esse ponto, ou poderia até ter me imaginado em circunstâncias diferentes nas quais eu estaria numa cama de hospital. Ou morta, já que desde criança eu sempre deixei meus pais cientes de quais seriam os meus preparos fúnebres. 

Eis o meu maior dilema, e meu maior segredo. Não sei me imaginar vivendo no futuro, já que isso é algo que eu só fazia quando criança em forma de válvula de escape nos dias em que a dor era muito forte, e que eu queria pensar em algo bonito no lugar de um suicídio. 

Só sei que sinto necessidade em escrever, em abrir o peito numa folha de papel e jogar tudo que paira em minha mente em linhas tortas que distrai a minha mente das terminações nervosas que insistem em causar dor, e em todos os pensamentos que vem junto dela. Sinto necessidade em fechar os olhos e imaginar a próxima frase, como se dessa forma fantasiosa pudesse me criar um novo futuro através do ato de estimular a vontade de sonhar com este dito cujo.

Num espaço fechado em minha mente tremo entre as decisões de sonhar com o futuro e ficar frustada com o que pode acontecer, e entre o não imaginar e viver a vidas as cegas sem ter algo que me impulsione. Apesar que a minha escolha é bem óbvia, porque se eu não me importasse tanto com o futuro não viveria presa neste tipos de pensamentos e delírios de todos os frutos que a vida ainda pode me dar. Muito menos teria gasto uma manhã escrevendo tudo isto, para finalizar com um sorriso torto e agridoce nos lábios. 

quinta-feira, 11 de junho de 2015

Meu eu.

Venha meu eu, aquiete o seu choro baixo no embalo do meu peito. Adentre no sono sonâmbulo sem preocupações, e abrace forte esse nosso coração ao embalo de duas cordas vocais que cantam com pesâr. Chore tudo que precisar chorar, tudo que ainda está entalado e que eu nunca permitir sair ou entrar. 

A tormenta já passou junto com os anos de lamentar. Os destroços já foram remontados, e as flores do quintal já voltaram a desabrochar. Ignora este eco, que atualmente só serve como trilha sonora para as noites mais densas. 

Venha meu eu, abrace todo o mundo que nos resta a conquistar. Abraça essa depressão, e aceita que são estas inconstancias que vão nos embalar ao mundo de orpheu. Não tome esses comprimidos e me abrace, apenas me deixe cuidar com zelo de todo essa singularidade que não passa de perfeição. 

Apenas me abrace doce depressão, e me deixe amar todo o meu ser. 

domingo, 9 de novembro de 2014

02:56

Sob o céu púrpura da cidade cinza, a insônia ataca com esmero contra o seu fim. Trazendo a tona todo o desespero de pequenos universos carnais, que vacilam ao leve toque mental da mortalidade. Anos se passaram desde o seu último encontro, e mesmo assim todo o medo do passado incerto toma seu lugar de volta pela mera lembrança de que o fim se aproxima.

Foram longas sete décadas de um filme da vida sem uma trilha sonora adequada. Cada cena de impacto, ou de procrastinação não recebeu a sua devida homenagem. Todos os louros foram entregues aos tolos escravos da utopia, que roubam o brilho nos olhos de uma heroína brava e depressiva.

Todo o seu universo interno modifica-se com pesar. Aqui está mais uma alma que necessita do amor do toque humano. Mais uma entre as diversas mulheres que choraram e sangraram em nome da vida digna. Mais uma que não recebeu prestígio ao seu coração de aço. E que nunca se entregou durante uma guerra santa que abalou o seu coração. Mais uma alma sonâmbula sob o céu púrpura da cidade de São Paulo.

segunda-feira, 28 de julho de 2014

Despertar.

A vida adulta começa quando você percebe tudo que está errado com o mundo. Mas não só percebe, e sim sente algo por isso. Seja raiva, dor, angustia.

Quando finalmente cada dor de crianças do outro lado do mundo te afetam, e te fazem julgar cada detalhe da sociedade afim de poder mudar o destino delas. Quando cada choro dói em sua alma, e lhe tira o sono ao acelerar a sua mente que procura incessantemente por um método de tudo que é ruim acabe.

Esse sim é o momento crucial.
É a hora da verdade, na qual se diferem bestas de seres humanos.
É quando a pergunta que não cala em sua mente é "Quantas mais Anne's Frank's vão precisar morrer para o mundo mudar? E mesmo após isso, uma hora toda essa crueldade terá fim?"

E tudo o que sobra é a dor alheia ressoando dentro do seu peito, que não sabe o que fazer para se acalmar enquanto o mundo de quem nunca viveu é destruído.

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

A dor.

Meu corpo dói.
Dói como o maior sofrimento do universo.
Dói.
Dói pela menor terminologia nervosa deste corpo.

E cada órgão clama pelo descanso ao se negar a funcionar.
Uma hora o fígado para. Outra hora o coração dói, e a cada batida o corpo treme como efeito colateral da suposta vida. Talvez seja o mesmo efeito dos pulmões que se cansam do trabalho que devia ser automático.

Apenas tem um pedaço de dor instalada em cada célula deste cadáver vivo.

Ainda sofro dos olhos, talvez essa seja a última vez que estes velhos globos oculares vejam o céu cinzento novamente. Ou até mesmo ao último passo de terra sob estes pés que fraquejaram sob o peso da vida considerada saudável. A um passo do pressuposto fim, mas diferente de Ismália não criarei asas ao alçar ao céu, apenas continuarei a ser um cadáver jogado nessa terra benzida de solidão.



sábado, 18 de janeiro de 2014

A dor do Universo.

E a carne novamente foi cortada. O novo rasgo profundo e largo, fazendo o seu caminho por entre as entranhas sem vida. O objeto destruiu o seu caminho à dentro, e explodiu em sua saída; porém mesmo assim nenhuma gota de sangue dali fora retirada.

Qual é o máximo de ferimentos que um corpo pode ter antes que toda a vida local chegue a inércia? Antes que tudo se torne insignificante e, cada ferimento deixe de ser ligado as terminações elétricas que produzem a dor. Qual será o limite da dor, do sofrimento, da inconstância do desapego?

E a cada novo 5 segundos do recomeço, sento e ali permaneço. O ciclo já não me interessa mais, nem mesmo os novos horizontes ali prometidos. A casa já está vazia, assim como a última garrafa de bebida alcoólica do mundo. O copo que uma vez já foi o centro do mundo agora não passa de apenas um objeto imundo.

Fecho os olhos e desmaio. Em segundos pulo fora da realidade, do mundo tocável. Mas mesmo fora deste as emoções ainda continuam, e a cada rua deste cérebro a dor se torna mais real do que a própria consciência universal. E assim a dúvida final ataca, apunhalando como se a sua existência depende-se disso:

- Qual será o limite mensurável do universo, quanta dor poderá ter existido no momento de sua criação para que tudo e todos que foram gerados dele sofressem tanto?